Símbolo Yogabodha Kalyan
Frederico M. Kùmbs

A água me ensinou a respirar. A respiração me trouxe até aqui.

Uma vida entre o corpo, a mente e o silêncio, contada por quem a viveu. Esta é a origem do Yogabodha Kalyan.

Antes do Yoga, houve a água.

Não comecei pelo incenso, nem pelos livros. Comecei pela água. Como atleta de natação, pela Seleção Brasileira e pelo Esporte Clube Pinheiros, descobri cedo que a respiração é a primeira decisão de qualquer travessia. Quem nada em alto rendimento sabe que o fôlego não é automático. É escolha, ritmo e permanência. O corpo treinado com presença revela o que a mente ainda não sabe nomear.

O Yoga chegou como cuidado e ficou como pergunta. Passei pelo Hatha em busca de equilíbrio físico. Depois vieram Vinyāsa, Aṣṭāṅga, Iyengar, Kuṇḍalinī, Yin e as práticas meditativas mais internas. Cada forma era uma porta diferente para a mesma dúvida. Como diminuir o sofrimento e ter um dia a dia que me realize.

Carreguei essa pergunta dos estudos para o TCC em Psicologia, para o trabalho, para as práticas energéticas e para as iniciações espirituais. O Yogabodha Kalyan é a resposta que surgiu, com grande influência da visão de Sri Aurobindo. Não uma técnica nova, mas um jeito honesto de integrar corpo, respiração, energia, emoção, mente, estudo e presença, para que cada momento da vida seja Yoga.

Tentaram me vender o roteiro. Ele não bastou.

Segui, por anos, ouvindo que a vida era estudar, estagiar, subir de cargo, namorar, comprar carro, casar, financiar o apartamento e esperar a sexta-feira. Hoje vejo como era triste, para mim mesmo, esperar a hora feliz da semana. Tristeza no domingo, contando os dias até a sexta. Conheci essas engrenagens porque girei junto com elas.

Dá para vencer todas as metas que o mundo te dá e, ainda assim, ir perdendo aos poucos o contato com o próprio ânimo.

Nenhuma das minhas mudanças importantes nasceu de regra moral. Não larguei o álcool para parecer espiritual, nem me tornei vegano para caber num grupo. Esses movimentos aconteceram quando eu já nem tinha uma escolha a fazer. O corpo e a mente foram amadurecendo, e os velhos hábitos deixaram de fazer sentido, muito pela convivência com as reuniões do IPPB, com os textos da Antiga Índia e com o caminho do xamanismo. Sem violência contra o corpo.

Os degraus do caminho.

Início, corpo na água

A piscina foi minha primeira sala de prática. Lembro do nervosismo nas primeiras competições nacionais e da calma na Copa do Mundo de Natação, já no fim dessa carreira. A natação me ensinou o que é sādhana, 24 horas por dia, todos os dias, por mais de uma década.

Tantra

Ainda nos últimos anos como atleta, comecei a praticar na linha Trika, depois veio a proximidade com o Avadhūta, até a imersão em Kaula. Ananda Marga, Vama Marga, rituais com deidades. Yantra, mantra, mudrā e nyāsa. O corpo energético, diante da força e da sombra.

Psicologia e projetos sociais

Sabe quando você estuda algo e parece que já sabia. Me descobri psicólogo bem antes de ter o TCC aprovado. Tive a boa sorte de participar de vários projetos sociais durante os cinco anos de faculdade, e permaneci alguns deles na ONG TETO.

Presença em salas de pressão

Consultoria de planejamento estratégico, mercado financeiro e gestão de pessoas. Ali descobri que presença não é luxo de retiro. É exatamente o que faltava nas salas de decisão.

A floresta também ensina

Huni Kuin, Yawanawá, Shanenawa, tradição Lakota. Os caminhos da floresta, o soma dos povos originários, o canto, o fogo. A consciência falando através da terra, e o respeito ao simples e aos mais antigos.

Ética e bioenergia

O grande amigo Wagner Borges me ajudou a entender que o que meu coração buscava não eram siddhis ou capacidades paranormais. Era ser uma pessoa boa comigo mesmo, aumentando as qualidades e diminuindo os defeitos semana a semana, para ser uma presença boa aos seres à minha volta, devolver à sociedade um pouco do tanto que me foi dado e fazer a minha parte pela saúde deste planeta que nos acolhe.

A transformação da respiração

Chi kung e prāṇāyāma. Tive a boa sorte de encontrar o Cláudio Fernandes, que compartilhou comigo seus mais de quarenta anos imersos nas práticas das antigas Índia e China.

Kriyā Yoga

Nas noites escuras da alma, o Alto permitiu que meu caminho se cruzasse com o de diferentes mestres da Kriyā, e cada iniciação preenchia um quadradinho do quebra-cabeça.

Advaita

Nasci em São Paulo, no meio do caos, porque aqui estão os meus aprendizados e onde eu posso contribuir, não escondido numa caverna. Ver o Vedānta pelos olhos do āchārya Jonas Masetti ajudou a colocar as relações em harmonia e me fez perceber a força da estrutura que me une à Natália, minha esposa.

Levei a respiração para onde ninguém medita.

O trabalho me colocou em consultorias estratégicas, no mercado financeiro, na liderança e na gestão de pessoas. São ambientes que medem a inteligência em velocidade, controle e resistência à pressão. Foi para dentro deles que levei respiração, centramento e presença, antes de reuniões, em ciclos de decisão, em conversas difíceis, nas salas de war room.

Ali ficou claro que o Yoga não é para as horas calmas. Ele é mais necessário exatamente onde a mente fragmenta, a respiração encurta, o corpo endurece e a pessoa passa a viver em reação. O que parecia apoio para atravessar o caos se revelou, com o tempo, o próprio centro. E esse centro faz falta numa época em que muito do Yoga virou espetáculo da forma, posturas impressionantes para o Instagram, estética de performance, corpos disciplinados por fora e casas internas em desordem. O Yogabodha Kalyan também nasce como resposta a isso, um caminho para o Yoga Integral no seu lugar de libertação, não de vitrine de habilidade.

O extraordinário pede discrição. Existe uma beleza ímpar no mistério da encarnação.

A busca me levou a rituais com fogo e com deidades, dias de privação de sentidos, convivência com os povos da floresta, encontros com a tradição do caminho vermelho e imersões nas linhas iniciáticas da Índia antiga. Vivi projeções conscientes e estados ampliados em que as fronteiras entre corpo físico, energia, emoção e mente se afinam. Um estado oceânico de ser.

Nada disso substitui o simples. Quanto maior a experiência, mais firmes são os pés no chão que ela cobra. O ritual abre a porta, e é a vida diária que confirma se você faz a travessia ou não. A iniciação acende o canal, e é a conduta que mostra se há maturidade para sustentar essa nova vibração.

Por isso o mistério, aqui, não vira espetáculo. O que é iniciático se trata com reverência e silêncio. O que pode ser ensinado, eu ensino como prática, estudo e presença. O que pertence ao segredo do caminho segue guardado.

Yogabodha Kalyan.

Yogabodha Kalyan é o nome que essa travessia recebeu quando decidiu servir. Não se trata de um Yoga novo, místico, revelado a uma única pessoa de forma extraordinária. Sirvo ao Yoga no seu propósito original, de reorganizar os corpos físico e energético, os campos emocional e mental, até que a pessoa consiga reconhecer aquilo que não depende de nenhum deles. Começa no corpo, atravessa a respiração, educa a energia, clareia a emoção, observa a mente e aponta para a Consciência.

No dia em que a prática toca o espaço divino dentro de você, o Yoga volta a ser o que sempre foi. Libertação.

Frederico M. Kùmbs em bakāsana

Conheça o Yogabodha Kalyan.

A prática que transcende à prática. Por dentro do que fundamenta o caminho.