Chamamos de Alto não porque esteja distante, mas porque, diante dele, o personagem que interpretamos deixa de ocupar o centro.
Entrar em silêncio ↓Chamamos de Alto não porque esteja acima do mundo, mas porque, diante dele, o personagem que cada um interpreta nesta vida deixa de ser a medida de todas as coisas.
Cada povo o chamou pelo seu nome. O Todo. Deus. Alá. Adonai, o Nome que os judeus preferem não pronunciar. Abba, o Pai íntimo que Jesus invocava. Brahman. Śiva. A Mãe Divina. O Tao, que ao receber nome já não é o Tao eterno. Ahura Mazda dos persas. Amon, o oculto dos egípcios. Olorum dos iorubás. Nzambi dos povos bantos. O Grande Espírito, Manitu entre os algonquinos, Wakan Tanka entre os Lakota, Nhanderu entre os Guarani. O incondicionado dos budistas. A Luz maior. Tantos nomes, e nenhum esgota o que nomeia. O poder que gera a vida não exige ser chamado de um único jeito.
É o todo que está em tudo. Não mora apenas nos templos, nas mesquitas e nos rituais. Mora em tudo o que respira, e no interior de cada ser, como cantou Kabir, o tecelão que hindus e muçulmanos reivindicam até hoje.
No Advaita Vedānta que sustenta o Yogabodha, Īśvara é a inteligência e a ordem presentes no todo. Brahman é a realidade sem limite. Ātman é essa mesma realidade reconhecida como o Eu.
Esses nomes não dizem todos a mesma coisa. Cada tradição guarda a sua palavra, a sua imagem, a sua relação própria com o sagrado. Elas não precisam ser reduzidas umas às outras para que possamos escutá-las com reverência. Quem estuda com a mente aberta ganha o mundo inteiro de comparações, e aprende a se equilibrar no meio.
Esta página reúne aquilo que ajuda a lembrar. Uma palavra, uma pintura, um poema, uma experiência. Não para transformar Deus em objeto de explicação, mas para retirar, por um instante, o personagem do centro. O Eu, esse, nunca esteve fora dele.
A estrela no limiar desta página vem dessa linguagem antiga. É a estrela prânica. O azul é o celeste, o Alto. O dourado é a claridade da consciência. A estrela branca, no centro, é o convite para atravessar.
Criei esta página porque não quero que o Yogabodha se torne apenas um conjunto de métodos, sequências e explicações. A prática começou antes disso. Começou quando algo maior atravessou a experiência comum e tornou impossível continuar olhando a vida do mesmo modo.
Em minha experiência, a técnica encontra a sua verdade quando deixa de ser uma tentativa de controle e se torna uma forma de reverência. O corpo se coloca, a respiração se recolhe, a mente aprende a permanecer, mas nada disso é o centro. O centro é aquilo para o qual a prática aponta.
Esta página é uma oferenda a essa Presença. Não pretende encerrá-la numa imagem, numa religião ou numa palavra. Guarda apenas alguns vestígios deixados por aqueles que a perceberam, amaram, cantaram ou serviram.
O Divino não aparece apenas no que interrompe a vida comum. Ele também é reconhecido naquilo que permite que a vida comum seja sentida.
“Aquilo que a mente não pensa, aquilo pelo qual a mente é pensada. Sabe que isso é Brahman.”
Kena Upaniṣad, I.5 · tradução livre · tradução completa
“Escuta o ney, como conta uma história. Ele chora as separações.”
Rūmī · Masnavī, Livro I, abertura · versão livre a partir da tradução de R. A. Nicholson
“Eu te amo de dentro da alma, mais para dentro. Meu caminho corre por dentro dos ritos, mais para dentro.”
Yunus Emre · Anatólia, século XIII · tradução livre
“Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.”
Fernando Pessoa · Mensagem, O Infante · domínio público
“Tudo isto, tudo o que se move neste mundo, é habitado pelo Senhor.”
Īśa Upaniṣad, 1 · tradução livre · tradução completa
“Viva a tradição que celebra o triunfo do Amor.”
Sonia Café · escritora, cofundadora de Nazaré Uniluz
Não por religiões. Cada obra chega com artista, contexto, fonte e licença. Obras de artistas vivos só entram com autorização; as demais vêm de acervos abertos e do domínio público. Use as setas para caminhar.
Professor e pesquisador das experiências fora do corpo, das bioenergias e dos amparadores, os agentes do Alto. Os textos dele entram neste caderno quando chegar a autorização, com o crédito do IPPB, Instituto de Pesquisas Projeciológicas e Bioenergéticas.
Antes de voltar ao mundo, um minuto.
Sem técnica e sem meta. Apenas ficar.
Volte quando quiser.
O Alto não cabe numa explicação.
Ainda assim, algo em nós o reconhece.
Tudo o que vive nesta página tem fonte e crédito. Traduções livres vêm marcadas como tal. Autores vivos entram com autorização. O resto é silêncio.